(UFU - 2016 - 2ª FASE) É da mesma maneira, então, que adquirimos as virtudes. Isto é, primeiramente pondo-as em prática. É assim também que fazemos com as restantes técnicas, porque, ao praticar, adquirimos o que procuramos aprender. Na verdade, fazer é aprender.
Aristóteles. Ética a Nicômaco, II, 1, 1103 a 33-35.
A partir do fragmento e de seus conhecimentos sobre o assunto, responda:
A) Qual é a relação entre virtude e felicidade, segundo Aristóteles?
B) Como pode o homem adquirir as virtudes éticas?
Gabarito:
Resolução:
a) A ética teleológica de Aristóteles é norteada por um fim (telos), uma finalidade, isto é, o bem supremo — a felicidade — que corresponde a uma vida contemplativa e virtuosa. A felicidade, como a finalidade última do homem, segundo Aristóteles, não está relacionada com o hedonismo, mas com a posse de uma virtude prática e racional, isto é, a verdadeira felicidade é associada com uma capacidade racional. A virtude é entendida como excelência (arété), e é somente através do caráter que se atinge a excelência: a boa conduta, a força do espírito, a força da vontade guiada pela razão leva à excelência. Dessa forma, a felicidade está ligada a uma sabedoria prática, a de saber fazer escolhas racionais na vida.
b) Para Aristóteles, as virtudes não se originam de maneira natural nos seres humanos, mas a partir do hábito, ou seja, a partir da sua prática constante é que as virtudes se desenvolvem, o que contraria a concepção inatista, segundo a qual estruturas naturais da consciência humana, independentes de qualquer experiência anterior, determinariam o desenvolvimento de algumas características. No campo da educação, o pensamento aristotélico fundamenta a percepção de que o desenvolvimento intelectual pode ser alcançado a partir do processo educacional